Curso de Teatro Piancó

Por Junior Aguiar
É como muito prazer que em março damos inicio a o “Curso de Teatro Piancó: O despertar do Artista” São 24 encontros pedagógicos-criativos na para montagem de espetáculos solos ou performances. As propostas serão desenvolvidas por cada participante durante o Workshop. Termos ainda 4 dias de retiro/residência na Casa de Xamanismo Centro da Terra, em Aldeia, para uma imersão criativa. O curso possui abordagem progressista, com visão holística, valorizando o ensino com pesquisa. Apesar de iniciatório ao tema, apresenta uma visão global. O curso tem como diferencial oferecer um mergulho intenso nos processos criativos que a linguagem do teatro proporciona na sua prática corporal. Utiliza o corpo como instrumento singular de comunicação e expressão humana. Além da proposta didático-pedagógica a ser trabalhada durante os encontros, será oferecido um conjunto de experiências-vivências que integra refinada gastronomia e hospedagem dentro de um retiro de 4 dias na região serrana de Aldeia. O nome do curso, remete ao idioma tupi-guarani, cuja palavra PIANCÓ, significa “pássaro que canta”. O curso tem como subtítulo, a expressão “o despertar do artista”, termo preciso para descrever o que os alunos/participantes irão vivenciar. O objetivo principal é fazer despertar o artista de cada pessoa, fazer o seu “canto” ressoar integrando o EU (dimensão psicológica), a Pessoa (dimensão ética), o Cidadão (dimensão política) e o Sujeito (dimensão filosófica) de cada participante. Na ementa, sublinhamos a arte e a educação como elementos norteadores; averiguar a estrutura e o processo dos aspectos fundamentais que constituem um projeto de pesquisa artístico; tópicos relevantes da História do teatro e de algumas teorias fundamentadas na cena moderna; enfim, usar o teatro como forma de comunicação, diálogo e encontro com a sociedade, para, por fim, vislumbrar linhas e tendências para o teatro contemporâneo que desejamos apresentar. O curso atende a quem busca novas experiências pedagógicas, iniciando ou aperfeiçoando sua formação profissional, mesmo atuando em outras áreas, transformar uma ideia em performance/espetáculo; combater a timidez, a ansiedade e a procrastinação; receber certificação para currículo e portfólio, investindo na sua capacitação por preço bastante acessível.

Serviço:
CURSO DE TEATRO PIANCÓ – “O DESPERTAR DO ARTISTA”
TER| QUI 19h00 às 21h30 
Investimento: R$ 150 reais *para atores e não-atores
Inscrição aguiarecife@hotmail.com – Preencher ficha + Depósito do valor (enviar comprovante)
Dados: Banco Bradesco / Genésio Gomes de Oliveira Júnior / agência – 0291-7 /conta – 007.9787-1
Informações: Junior Aguiar 81 995346054

Sobre Júnior Aguiar / Coletivo Grão Comum
Jornalista, diretor, ator e pesquisador da área de Comunicação Social, habilitado em Jornalismo, especializado em Docência no Ensino Superior. É o coordenador pedagógico da Casa de Xamanismo Centro da Terra. Com 37 anos de idade, e 23 anos de carreira no teatro, fundou com outros artistas, em 2008, o Coletivo Grão Comum, com vasto repertório de espetáculos premiados e apresentados no Brasil e no Exterior. Atualmente, desenvolve a pesquisa da Trilogia Vermelha, no qual encenou e atuou nos três espetáculos. As obras tiveram grande repercussão por reagrupar e reler a importância de consciências locais, regionais, nacionais e internacionais, como foi a vida e obra de três emblemáticos nordestinos mundialmente reconhecidos: o cineasta baiano Glauber Rocha, o educador pernambucano Paulo Freire e o bispo cearense Dom Helder Camara. Em 2017, convidado pelo SESC, ministrou dentro das comemorações da 10º Mostra Capiba de Artes, a oficina O Solo do Ator: o que você tem a dizer?

Histórico do Coletivo Grão Comum O Coletivo Grão Comum iniciou sua trajetória em janeiro de 2008. Formado inicialmente pelos atores Asaías Lira, Arthur Canavarro, Daniel Barros e Júnior Aguiar.  Nele foram produzidos quatro espetáculos-solos como resultado da pesquisa de cada ator. Abanoi – desse lado onde estás (Aguiar); Mucurana – de mundo afora e estrada adentro (Lira); Delicado (Barros) e MARéMUNDO (Canavarro). ABANOI – desse lado onde estás interliga falas contemporâneas a vozes ancestrais. Numa reunião, um deus dotado de inteligência é assassinado com uma mistura. Mas do corpo do deus surge um fantasma que reaparece para lembrar tudo o que aconteceu. Através do tempo, o fantasma relembra coisas que não podem ser esquecidas e encarna o anseio da liberdade, não só da pátria, como do próprio ser humano e, principalmente, de todos os povos oprimidos e humilhados. No momento de decifração dos textos, identificamos uma mesma voz unir referências seculares, num legítimo jogo de intertextualidade que coloca em diálogo: os brasileiros Augusto dos Anjos(1884-1914) e Machado de Assis (1839-1908); o africano Patrice Lumumba (1925-1961); o grego Nikos Kazantzákis (1883-1957) e Nur-Aya nascido na Mesopotâmia (XVII a.c.) cujo texto originalmente foi escrito em tábuas de barro. A estreia da sua primeira temporada aconteceu no dia 23 de maio de 2009. Ganhou os prêmios Melhor Sonoplastia, Ator e Projeto de Pesquisa na III Mostra Capiba de Teatro (SESC – CASA AMARELA). MUCURANA – de mundo afora e história adentro mostra a passagem de um peregrino contador de histórias que atravessa o seu país carregando apenas uma bolsa e dentro dela: causos, lendas e cordéis que costuram com a sabedoria popular retalhos da nossa identidade brasileira. Mucurana canta, dança e relembra provérbios, trazendo à tona o conceito simbólico e ancestral do homem sábio que fala ao povo. O espetáculo defende a tradição do contador mambembe de histórias que fala ao povo: alerta o oprimido, faz orgulhoso o preto e também o artista pobre que sempre se posiciona no tabuleiro da fome, da necessidade e da esperança! Suas palavras dizem do preconceito, do dinheiro e do lixo. Suas frases ainda falam do Brasil descoberto pelos índios, das estrelas, da esperança e da liberdade. Sua estreia foi no dia 28 de novembro de 2009 no Mercado de Casa Amarela (Recife/Pernambuco). DELICADO Livre adaptação da obra de Nelson Rodrigues. O espetáculo é a confissão trágica do personagem Eusébio, filho de Macário e Dona Flávia (mãe de sete filhas). Ele aprendeu desde cedo: a moralidade é basicamente condenatória. A encenação fala das convenções tecidas pela Moral, coloca em questão a natureza do nosso espírito perguntando: nascemos puros e bons? Somos esses seres generosos e benevolentes ou na verdade descobrimos que não existe bondade natural e que a delicadeza acabou… Somos egoístas, ambiciosos, agressivos, castradores, cruéis e precisamos do dever para nos tornarmos seres morais? Qual natureza possui Eusébio? Sua existência contraria o olhar viciado e cheio de curvas da instituição familiar e da própria sociedade que macula a natureza humana com um machismo exacerbado, retrato de uma sociedade fálica que continua a gerar uma opressão secular sobre a mulher e sobre a própria questão (contraditória) das sexualidades e dos gêneros. A estreia foi no dia 24 de setembro de 2010 no Teatro Alfredo de Oliveira. MARéMUNDO é o quarto e último solo do Coletivo Grão Comum. A encenação conta a história de Beira-mar. É a odisséia de um pescador pelo desconhecido, atravessando o oceano, por crer na existência de uma ilha que ele precisa chegar. No seu universo, o mar não é simplesmente uma realidade física e biológica, mas povoada por mitos, monstros e divindades. É uma narrativa sagrada que vai além dos heróis, dos monstros marítimos, das histórias de sereia e dos desafios irreais. Navegar é preciso, porque quando somos surpreendidos, quando acontece algo inesperado ou imprevisível, quando o significado costumeiro das coisas, das ações, dos valores ou das pessoas perde sentido, mudamos, ou precisaríamos mudar de rumo para entender o porquê de tudo acontecer revelando o nosso destino. Sua pré-estreia foi no dia 01 de fevereiro de 2011 dentro da Mostra Grão Comum realizada no espaço MUDA. Posteriormente, em parceria com a produtora GOTA SERENA, idealizou e produz a TRILOGIA VERMELHA. O primeiro espetáculo h(EU)stória – o tempo em transe (com os atores Júnior Aguiar e Márcio Fecher) estreou no 20º – Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional das Artes Cênicas de Pernambuco. Sendo indicado a seis categorias do prêmio APACEPE e ganhando melhor ESPETÁCULO e TRILHA SONORA na categoria teatro adulto. ‘Desde o encontro regado a tchai (bebida indiana) na entrada do teatro, aos incensos e o altar-oferenda, com defumação e água perfumada, ao branco vestido pelos atuantes, tudo desvela o universo apocalíptico, caótico e profético do personagem central do trabalho, descortinando-o, documento a documento. O trabalho tem verdades desconcertantes. Um campo em transe que vaza do palco para a plateia. A história foca sua narração dramatúrgica para as relações do cineasta baiano Glauber Rocha com Pernambuco através das cartas escritas para o poeta e educador Jomard Muniz de Brito e o ex-Governador Miguel Arraes. O espetáculo impressiona pela atualidade do discurso e com a revelação desta importante personagem nacional. O segundo espetáculo pa(IDEIA) – pedagogia da libertação (com os atores Daniel Barros e Júnior Aguiar) ganhou os prêmios de melhor ESPETÁCULO, DIREÇÃO E ATOR COADJUVANTE no Festival Abril Para o Teatro em Caruaru. E no 23º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional das Artes Cênicas, fomos indicados a seis categorias do prêmio APACEPE e ganhamos melhor TRILHA SONORA, ILUMINAÇÃO e ATOR COADJUVANTE (para Daniel Barros). A prisão do professor Paulo Freire em 1964, o Brasil de hoje e as contradições da educação como temas centrais da obra. Política, dialética e amor para atingir a libertação através das ideias. E o espectador sendo permanentemente colocado a ocupar/desocupar, agir/reagir, falar/silenciar a cada novo avanço da História. O espetáculo propõe um diálogo – sempre a partir da reflexão social – que não deixa ninguém a margem da vida nacional. Atualmente, encontra-se em processo de criação do terceiro espetáculo pro(FÉ)ta – o bispo do povo, com os atores Daniel Barros, Junior Aguiar e Marcio Fecher. A estreia está prevista para janeiro de 2018 abrindo as comemorações dos 10 anos do Coletivo Grão Comum. Por fim, realizou a MOSTRA COLETIVO GRÃO COMUM (Janeiro/2010) e produz o FESTIVAL DE ARTES COVA DA ONÇA (em Aldeia)