Subversões fotoquimicas_workshop

Por Gustavo Jahn & Melissa Dullius (Distruktur)


Objetivos

Na primeira parte desse curso intensivo e predominantemente prático vamos filmar, revelar e projetar imagens em 16mm utilizando o filme positivo colorido 16mm.

Subvertendo o modo de usar indicado pelos fabricantes da película e das soluções químicas, resistimos contra a obsolescência do cinema analógico e criamos meios de continuar desenvolvendo a imagem em 16mm como técnica e linguagem artística.

Depois de concluídas filmagem e revelação, o grupo criará uma peça coletiva que será projetada no final da oficina. Além de selecionar e organizar as imagens filmadas, também poderemos modificar algumas das imagens filmadas, alem de criar novas imagens animando tiras de película transparente através de técnicas de animação direta, o chamado cinema sem câmera. Trabalhando a película como suporte, enriqueceremos a sua superfície com apliques, marcas, recortes, riscos, perfurações e pinturas.

 

Conteúdo

O foco da oficina é a criação de uma peça coletiva em um processo ao longo do qual os/as participantes façam com as próprias mãos todo o processo de criação da imagem em movimento positiva em 16mm. Atuando desde a colocação do rolinho no filme na câmera até a projeção, passando pela filmagem, revelação e secagem da película, pode-se descobrir as possibilidades criativas que cada etapa oferece e ao mesmo tempo desenvolver uma relação de intimidade com o material. Indo mais longe, pode-se enxergar toda série de movimentação e gestos que fazem parte das práticas analógicas como uma grande coreografia, uma perfomance, da qual o fruto- as imagens- resultam do diálogo entre artistas e o material.

 

Técnica

O uso do processo químico E6 para revelar o filme positivo de cópia (print film) é uma adaptação. Esse método não-ortodoxo e experimental pode levar a resultados inesperados e expressivamente singulares.
O positivo tem características que o tornam uma mídia muito interessante quando modificamos a sua função original para usá-lo como filme de câmera. Essa película tem grão muito fino e adquire um tom metálico azulado quando exposto à luz natural. É um filme de baixa sensibilidade (ASA 4), portanto necessita de bastante luminosidade para a sua exposição correta, a luz do sol ou holofotes de estúdio.

Trataremos também de aspectos como quadro/enquadramento, repetição e variação, e fenômenos necessários para a criação e/ou reprodução de imagens em movimento.

 

Dinâmica

O primeiro dia começa com a projeção de uma série de filmes curtos em 16m realizados pelos ministrantes com a técnica de animação sem câmera (cameraless animation).

Além da apresentação dos ministrantes e de cada participante, serão transmitidas uma série de informações teóricas acerca da composição físico-química da película cinematográfica 16mm e, especialmente, do filme positivo de cópia. Também será abordada a situação politico-econômica que subjaz à produção independente em 16mm hoje em dia (escassez de materiais e equipamentos de difícil acesso e criação de sistemas associativos para reverter as dificuldades ou limitações em potencialidades criativas). Ao fim do dia serão projetados outros exemplos em película.

No segundo dia o grupo vai filmar, revelar e projetar 1 rolo de 30m (2min43s à 24qps) de filme positivo colorido 16mm. O grupo será estimulado a criar imagens que explorem as especificidades desse suporte, possibilitando a cada participante adquirir ou aprofundar seus conhecimentos de cinema analógico ao expor e revelar a película manualmente.

No terceiro e último dia vamos montar a peça coletiva, cortando e colando os pedaços de filme para alterar a duração e ordem dos planos filmados e também intervir diretamente sobre a película criando formas sobre sua superfície que se materializam em luz durante a projeção.

Participação

A oficina tem duração de 3 tardes (12 horas no total) e está limitada a um grupo de no mínimo 5 e no máximo 10 pessoas. Não é necessário ter experiência prévia com técnicas analógicas de fotografia e filme.

No encontro que encerra o curso (na noite do sábado 17/11, no Cine Cão, participação facultativa) o filme será projetado para o público, junto com outros trabalhos da dupla Distruktur.

 

Materiais disponibilizados

câmera 16mm

fotômetro

tanque Lomo

coladeira e projetor 16mm

30m de filme 16mm positivo colorido virgem

película 16mm transparente, cinza e preta

tripé

mesa de luz e lupas

acessórios de laboratório

químicos (processo E6)

 

tinta azul e verde cobalto especial para filme

fita adesiva transparente especial para montagem de película 16mm

cartelas de letras transferíveis (letra set)

sacolas plásticas com impressão serigráfica

solvente thinner

remédios e esmaltes de unha (tintas alternativas)

cotonetes

palitos de dente

fitas adesivas transparente e coloridas

algodão

álcool

ferro de passar

estilete, régua

 

Link para exemplo de filme realizado nessa técnica

https://vimeo.com/237720710

Professores

Melissa Dullius (Porto Alegre, 1981) e Gustavo Jahn (Florianópolis, 1980).
Vivem e trabalham em Berlim desde 2006. Juntos formam Distruktur.
Movendo-se através das fronteiras entre arte e cinema, experimental e narrativo, fotografia e imagem em movimento, exploram em seus trabalhos diferentes níveis da experiência sensorial e intelectual. Desestabilizam as noções do real e do imaginário ao mesmo tempo em que fundem as camadas de passado, presente e futuro. Deslocamento e transposição acontecem aqui como estratégias para produzir transformações, e as narrativas instáveis a que dão vazão sugerem que há muitas outras maneiras de comunicação além das normalmente conhecidas. Combinando ficção com arquivo pessoal, os trabalhos da dupla fazem abrir um baú pessoal e coletivo, onde se encontram e reorganizam fantasticamente símbolos de diversas eras e lugares, denotando as veias profundas que unem os indivíduos e as culturas que os formam.

Começaram a fazer filmes em Porto Alegre no ano 2000, primeiro em Super 8 e depois em 16mm. Depois de mudarem-se para Berlim, juntam-se ao grupo fundador do coletivo LaborBerlin e.V. e passam incorporar práticas experimentais de filmagem e revelação analógicas ao seu processo criativo. Além de conceber e produzir imagens em movimento também trabalham como atores, músicos e técnicos de laboratório de cinema, realizando grande parte da pós-produção dos seus filmes.
Seus trabalhos tomam forma como filmes, instalações, filmesperformance, fotografias, textos e impressos.

Nos últimos anos participaram de festivais como Berlinale, Torino Film Festival, Mostra Internacional de Cinema de SP, Videobrasil, Melbourne IFF, e em instituições de arte como Berlinische Galerie, Contemporary Art Centre Vilnius, CCBB-Rio, Paço das Artes-SP e SESC, onde participam da exposição coletiva Via Aérea, em cartaz até 2 de dezembro desse ano.

 

Serviço:
Workshop Subversões fotoquímicas
Professores: Gustavo Jahn & Melissa Dullius (Distruktur)
Data: 14 a 16 de novembro – quarta a sexta
Horário: 13:00h às17:00h
+ encontro final (facultativo) na noite de sábado, 17/11, no Cinecão, a partir das 18h
Investimento: R$ 750,00* (inclui taxa de materiais: filme 16mm e químicos) *divide em até 2x no cartão
Informações e inscrições: galeriamaumau@gmail.com