Performance como Filosofia – O que pode um corpo?

É com muita alegria que em junho a Maumau recebe a OFICINA – LABORATÓRIO EXPERIMENTAÇÕES EM PERFORMANCE COMO FILOSOFIA de Carol Marim, bailarina contemporânea e pós-doutora em filosofia.

A oficina foi pensada em quatro módulos inter-relacionados. A continuidade é  recomendada para aqueles que desejam aprofundar o trabalho. Cada módulo têm uma carga horária de 14 horas distribuídas em dois fins de semana.

Módulo I – O que pode um corpo?
Módulo II – Ruído e silencio
Módulo III – Escuta e acolhimento
Módulo IV – Tecendo Memórias

 

As inscrições estão abertas para o Módulo I

Pele sem Corpo | Carol Marim e Fernando Codeço

 

OFICINA – LABORATÓRIO EXPERIMENTAÇÕES EM PERFORMANCE COMO FILOSOFIA
Módulo I

Objetivo:
Introdução a metodologia Performance como Filosofia

 

Descrição:
O que pode um corpo? O que nos anima? Como “se fazer dança”? Como dançar o lugar?

No butô de Tadashi Endo, MA é estar entre. Compreendido como o intervalo de tempo­/espaço, no qual a dança captura forças e acontece como trânsito. Ali se renasce constantemente. Onde encontra-se um Lugar/não lugar, espaço/­tempo entre um movimento e o outro, zona de indeterminação onde as virtualidades e potências do corpo se potencializam. Dançar o lugar é estar sempre no limite, correndo o risco, estando fora do conhecido, isto é, saindo do conforto de nosso cotidiano, como lugar dado. A possibilidade, por exemplo, de se “fazer/tornar-se ­animal”, “fazer/tornar-se pedra”­, “fazer/tornar-se imperceptível”, ser frágil e precário, estar no mínimo de equilíbrio, fugindo sempre de qualquer estabilidade.

Porém, como dançar estas e tantas questões que nos atravessam cotidianamente?

Partindo da ideia de que conceitos são ‘eventos no fazer’ e o pensamento não é apenas um hospede do corpo, dançar surge como a possibilidade de experimentação e pensamento. Nesta proposta de filosofia e performance, a filosofia não é utilizada como ferramenta de análise, mas ela é o próprio corpo em movimento. Quais questões te mobilizam? Como pode o corpo responde-las?

A performance é a escrita e o próprio pensamento em movimento. Criar conceitos implica mover-se com pré-articulações da linguagem. E, a linguagem neste caso, ainda não conhece o que algo significa, não definiu aonde ela pode ir. A linguagem está criativamente mergulhada dentro de tonalidades afetivas, de como pode ser ouvido, vivido, escrito e imaginado. Por isso, algumas técnicas do butô é nosso ponto de partida. Dança o lugar é o corpo morto, aquele que deu morte à consciência que organiza, que tem autonomia para além dela. Quando o corpo morto se expressa não é um eu quem fala, mas cada músculo na sua autonomia e singularidade. Com ele possíveis se atualizam constantemente e o corpo como multiplicidade se afirma.

Assim, a proposta dos encontros é apresentar procedimentos e técnicas nas quais pensamento e movimento se fundem. Onde a escolha de uma questão, resistência, emoção, de um objeto ou obstáculo nos coloca em movimento e este encontro é quem possibilita a criação do pensamento e da performance. Utilizaremos diferentes técnicas de improvisação em dança como recurso de criação das performances. No primeiro módulo (4 aulas), temos como proposta inicial pensar sobre o movimento da escuta de si mesmo. Quais questões te movem? Como dança-las?

Para isto partiremos da experimentação do corpo morto. Como diz Hijikata, “Butô é um cadáver levantando, desesperadamente, em busca de um pouco de vida.” Dança­-se o lugar, porque se é cadáver e sendo cadáver se afirma a vida, essa que passa pelo humano e continua seu caminho para além de nós mesmos. Sentir o MA como seu Umwelt (ambiente), como esse aí invisível que contém um caldo caótico, onde se tem que mergulhar para trazer um novo corpo. Pensar o mundo como espaço de composição, onde o político se faz no corpo em movimento.

Objetivos:

Geral

  • Através da metodologia de Performance como filosofia investigar as diferentes questões que nos movem, tendo como principal ponto de partida o corpo morto, corpo como puro fluxo, composto por partículas infinitas que variam sem cessar. Corpo aberto às virtualidades, disposto ao encontro com a vertigem do caos. Corpo que faz dançar o pensamento.

Específicos

  • Apropriação dos princípios básicos da metodologia de Performance como filosofia, cuja aplicação pode ser feita para diferentes propósitos, tanto artísticos como pessoais;
  • Apresentação de técnicas de composição em contato-improvisação; butô e de composição em performance;
  • Reconhecer a própria trajetória corpo/pensamento e sua relação com os acontecimentos que o atravessam diariamente, observando as mudanças dentro de diferentes relatos espaço – temporais e sua relação com a dinâmica da vida urbana atual;
  • Costurar um tecido crítico corporal, observando como se dá seu processo de ruptura e preservação dos afetos, disposições e sonhos, a partir de perguntas pessoais e coletivas que constituem o imaginário e a identidade local, bem como as vivências e manifestações das pessoas nos locais que habitam;
  • Produção de uma cartografia sensível, inscrita e escrita na pele dos corpos em

 

Justificativa

A oficina pretende servir de campo para pesquisas de âmbito pessoal e coletivo, tendo em vista a organização de pensamentos, perguntas e questões que atravessam o corpo e o ambiente que o circunda.

 

Metodologia

A proposta Performance como Filosofia trata de pensar o mundo como espaço de composição, em que o ético e o político se fazem no próprio evento. O que importa não é apenas a imagem do movimento, mas o que acontece entre as imagens, o que se passa entre os movimentos e não no movimento em si, sua duração, mas nas virtualidades que escoam e ecoam entre eles.

A performance é a escrita e o próprio pensamento em movimento.

Neste modo de pensar/sentir, a linguagem é criativamente encerrada dentro de tonalidades afetivas de como pode ser ouvida, vivida, escrita e imaginada. Os corpos são puro ritmo plástico. Tornar-se um corpo, que é um corpo sensorial em movimento, um corpo que resiste à predefinições em termos de subjetividade e objetividade ou identidade.

A proposta é de ruptura da separação das abordagens estético, filosófica e epistêmica de saber, na qual pesquisa e criação não estão separadas e são produzidas pelo corpo em movimento. Foto, vídeo, poesia, criação musical, captação de imagens e sons, não constituem-se apenas como ferramentas de registro ou meros adornos ou acompanhamentos, mas constituem-se como alongamentos sensoriais dos corpo-pele.

Através do corpo em movimento as memórias afetivas se revelam e a partir delas buscaremos refletir sobre:

  • Como integrar as concepções dualistas convencionais de corpo físico, mental, orgânico, sociocultural, através da proposta de um corpo-pele. No qual reconhecemos que a nossa pele é o cérebro e, portanto, somos circuitos sensíveis, tocados por diferentes eventos, em diferentes pontos e de diversas maneiras criando um “ambiente” dentro, fora e entre.
  • Duas dimensões da experiência, a participação imediata do acontecimento no mundo que é mais amplo do que a própria experiência – sua atividade. Segundo, fazer algo efetivamente é sentir – registrar.
  • Produção de uma cartografia sensível, inscrita e escrita na pele dos corpos em movimento. No “entre” acidentes internos (emoções, humores, dores) e externos (pedras, água, plantas, poluição visual, sonora e do ar) acontece o trânsito, onde se renasce constantemente, se experiencia o limite, correndo o risco, estando fora do conhecido, isto é, saindo do conforto do A possibilidade de criar uma nova cartografia na pele, com e na cidade.
  • A Performance entendida como um dispositivo filosófico de um ethos do não-ainda e de uma política no fazer.

 

Assim a Oficina – Laboratório de Performance e Filosofia tem como primeiro módulo (Introdutório) a proposta de apresentar alguns procedimentos e proposições para a multiplicidade dos corpos, tanto de suas relações consigo mesmo, como com o ambiente e seu contorno, de modo a experimentar a performance como produção de pensamento, do fazer filosófico, artístico, ético e político.

Como podemos ser geradores de propostas de situações em diferentes espaços, modificando e sendo modificados, ao mesmo tempo que produzimos nosso corpo e nossa ação no mundo?

 

Marco Teórico e Prático
Alguns dos principais aportes teóricos e práticos tem norteado a investigação em performance e filosofia de Carol Marim, como: Erin Manning, Brian Massumi, Kuniichi Uno, Whitehead, Suely Rolnik, Eleonora Fabiano, Sarah Ahmed, William James, Eduardo Viveiros de Castro, Aaron Ben Ze’ev, Martha Nussbaum, Hilan Bensusan, Flávio de Carvalho, Márcia X, Alex Hamburguer, Regina José Galindo, João Fiadeiro, Soraia Jorge. A proposta de Performance como Filosofia tem sido costurada nos últimos 7 anos em seu projeto Costuras do Real, principalmente com a série “Vestindo Peles”. Dentre os aportes práticos em dança e performance estão: butô, contato-improvisação, procedimentos em eventos no fazer (sense lab), composição em tempo real (Atelier Real).

 

Público Alvo

A oficina-laboratório é aberta a todas as pessoas que tenham interesse em participar. Sem restrições de saberes e corpos prévios, dado que compreendemos que cada participante tem uma rica e própria experiência, e é precisamente através da diversidade das mesmas que este laboratório se tornará mais interessante e multigerador. Grupo limitado (Máximo de 15 pessoas). Se pede aos participantes o uso de roupas confortáveis a fim de poder realizar algumas atividades físicas de alongamento e de contato-improvisação.

 

Cronograma

Dia 1 – Performance como Filosofia

  • Introdução à metodologia Performance como Filosofia;
  • Experimentação das proposições e procedimentos para a pesquisa corporal;

Dia 2 – Corpo Morto

  • Ativação dos corpos através de técnicas de butô;
  • Exercícios de contato-improvisação.

Dia 3 – Composição

  • Reunião dos atravessamentos e criação das performances;
  • Técnicas de composição.

Dia 4 – Finalização e resultados

  • Edição final e novas aberturas;
  • Realização das performances no espaço.

 

 

Sobre Carol Marim
Carol Marim é bailarina contemporânea e pós-doutora em filosofia. Atualmente é professora substituta na área Estética no Departamento de Filosofa da UFPE. Vem realizando desde fevereiro projeto de Extensão em Performance e Filosofia dentro do convenio UFPE – Cine-Teatro Bianor Mendonça Filho, na cidade de Camaragibe/PE. Nasceu em São Paulo/SP e atualmente reside em Recife/PE. Participou dos grupos de dança Mergulho no corpo (1998-2004/ Florianópolis/SC) e Café Reason Butoh Dance Theatre (2008-09/ Oxford/UK). Entre 2009 e 2011, fez a formação de Bailarino Contemporânea na Escola Angel Vianna (Rio de Janeiro/RJ). Desde 2001 vem realizando diversas performances e participando de festivais, tanto no Brasil, como o festival Panorama de dança, como em outros países. Suas performances são normalmente realizadas em espaços públicos. Em 2015, a convite da curadora Sonia Salcedo del Castilho, parte da série Vestindo Peles ocupou o pátio central do Centro Cultural da Caixa junto a exposição Asas a Raízes, tendo também realizado a performance Costurando Pedras. Tem como principal pesquisa filosófica e performática atualmente as teorias contemporâneas das emoções, proposta de filosofia como performance, que integra o projeto de pesquisa Costuras do Real. Recentemente criou a Cia Faniquito – grupo de experimentos em performance e filosofia – cujo propósito é de arriscar, estética e fisicamente, quebrar as barreiras entre filosofia, artes e outras linguagens e, acima de tudo, colocar perguntas para o corpo e o ambiente entorno de maneira clara e despretensiosa. Inspirada nos preceitos do Iki, busca uma estética da simplicidade, efêmera, instaurada no cotidiano.

 

SERVIÇO:
OFICINA – LABORATÓRIO EXPERIMENTAÇÕES EM PERFORMANCE COMO FILOSOFIA
Módulo I – O que pode um corpo?

Datas: 9/10 e 16/17 de junho (sábados e domingos)
Hora: 14:00 às 17h30 (carga horária 14 horas)
Inscrição: https://docs.google.com/forms/d/1ZAgRP7i4LoPJKKaAfMZcKehksApZrGqZnvKvuDnocFY/prefill

Valores: 
R$ 380,00 (à vista)

R$ 420,00 (2 vezes)

Pagamento:
Banco Santander
Ag. 4310/CC. 01049471-4
Caroline Izidoro Marim
CPF: 185.014.818-07

DESCONTOS E BOLSAS 
Das 15 vagas, 10 se beneficiam de bolsa ou desconto, distribuídas da seguinte maneira:
4 VAGAS COM DESCONTO de – 10% POR INSCRIÇÃO ANTECIPADA para os 5 primeiros participantes a completarem a inscrição até 25/05.
2 BOLSAS COM DESCONTO de – 30%, seleção por carta de intenção.
2 BOLSAS ESTUDANTE – uma bolsa integral e outra de 50 %. Enviar carta de intenção.

 

 

Mais informações:
Caroline.marim@gmail.com | (81) 99722-0535
https://carolinemarim.wixsite.com/carolmarim